Ousar Ser @ 13:36

Sex, 09/11/12

Muitas vezes tendemos a confundir liberdade com transgressão.

 

Há certos comportamentos, opiniões, reacções, ambições, rejeições, julgamentos, etc...Que caracterizam há tanto tempo a nossa maneira de ser que, julgamos ser a nossa real personalidade. Muitas vezes, não são mais do que atitudes reactivas ao mundo, a vivências adversas ou a pessoas, contra as quais reagimos com afectos negativos (raiva ou vingança), apesar de na nossa mente assumirem a qualidade de “liberdade de existir” baseada em escolhas conscientes. Um exemplo paradigmático, é o do indivíduo que se afirmou sempre como grande lutador, viciado no trabalho (mesmo que este lhe afecte a saúde), o qual não tem tempo, sequer, para se questionar se é ou não feliz. Um dia deprime-se e aí, numa paragem “forçada” pode tomar consciência que afinal aquilo a que chamava “luta pela vida”, não é mais do que uma qualquer competição com um irmão (por exemplo), competição essa, que o levou a transgredir os seus próprios limites, de repente, essa “luz” fá-lo entender que tudo o que desenvolveu, mais não foi do que raiva ou fúria interior, mesmo que inconscientes, ou seja, uma transgressão dos seus limites. Então, é nesta nova tomada de consciência que pode nascer, para esta pessoa, a liberdade. Liberdade é pois assumir limites e não negá-los. Outro exemplo frequente, é o que se passa com os filhos adolescentes de pais muito rígidos. Nesta fase da vida, os adolescentes tendem a fazer escolhas completamente opostas ao que os pais lhes transmitiram. São escolhas que, geralmente, chocam, vivem em transgressão num ambiente, que sentem como repressor, achando que os seus gostos e escolhas são fruto de liberdade.

 

É a confusão entre liberdade e transgressão. Em termos histórico-culturais, o Maio 68 em Paris foi símbolo da revolta contra costumes repressivos e conservadores. No entanto, a “obrigação” de transgredir levou, a meu ver, mais à libertinagem do que à liberdade de existir que se pretendia. Toda aquela geração ficou, temporariamente, mergulhada num agir transgressivo, pesado, que não trouxe saúde nem felicidade, pois tornou-se quase numa compulsão à transgressão. O boneco Snoopy aparece, então, num poster gigante nas ruas de Paris dizendo: “É melhor ser rico e saudável do que pobre e doente!” retratando bem a insatisfação que depressa se instalou depois da inicial excitação do “grito de liberdade”. A liberdade é, pois, um processo de construção interior, baseada no auto-conhecimento e não é resultante de comportamentos reactivos às atitudes, circunstâncias ou contrariedades que a vida nos apresenta a todos - já que a perda é uma constante da na nossa vida desde o momento do nosso nascimento até à morte.

 

Pelo contrário, a liberdade é um estímulo para nos definirmos nas nossas capacidades criativas, não perdendo estas oportunidades, quer negando emoções, quer as nossas próprias necessidades camuflando-as através de transgressões para com os outros, e, mais grave... Para nós próprios.

 

Veja o vídeo aqui!



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Amei <3 mt
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Acabei de o receber, muito obrigada!
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