“Nada se perde, tudo se transforma” é uma frase que encerra a própria verdade e, mesmo, o segredo da vida.
Perder algo ou alguém, importantes para nós, envolve um processo de luto que passa, muitas vezes, por “lutas”.
O processo de luto pode resumir-se em quatro fases: à fase inicial do desespero, segue-se uma fase de negação e protesto, na qual, se tenta recuperar o que foi perdido (mesmo que só imaginariamente). É esta vivência que dará lugar à fase de aceitação vivida, geralmente, com tristeza e depressão mas, condição indispensável para chegar à reconstrução, ao renascimento e a um reatar criativo de ligações com a nova realidade existencial da pessoa.
O “luto patológico” ocorre quando a pessoa se fixa numa destas fases e é, então, aqui que aparecem as “lutas” para negar a nova realidade. Percorrer este processo implica conhecer o “desenho” destas lutas, uma vez que é nelas que a pessoa mascara (até para si própria) a sua verdade, arrastando essa máscara por anos e sob as mais diversas formas.
Estas “lutas” de que falamos assumem, muitas vezes, a forma de somatizações ou doenças físicas, a precisar, efetivamente, de serem tratadas medicamente. É como que por “ o corpo a falar por nós”, sendo a doença o resultado do compromisso doentio, de emoções negadas, de tristezas não vividas, talvez, lágrimas não choradas ou raivas não exprimidas.
Hoje, é sobejamente conhecida, nos meios científicos, a relação causa/efeito entre doenças (cancro e doenças do sistema imunitário) e perdas inesperadas.
A segurança, a saúde e a liberdade de existir só podem vir, assim, da nossa capacidade de transformação, através dos nossos lutos diários: morremos hoje para ontem e amanhã morreremos para hoje”.
“Saber morrer” e “deixar morrer” tal é o preço de poder viver a nossa vida em plena saúde e em alegria.
Sexo e sexualidade não se reportam à mesma coisa. Podemos dizer que a sexualidade é o conjunto das experiências emocionais da atmosfera afetiva em que, a partir da puberdade o ato sexual poderá vir a enquadrar-se. Em muitas línguas o ato sexual é designado por “fazer amor” o que significa que o ato sexual dos humanos se pode acompanhar de emoções de ternura e carinho que serão uma das melhores vivências que uma pessoa pode conhecer.
A atividade sexual humana é nisso distinta da atividade sexual animal que é ela puramente instintiva. Se o amor e a emoção pode assim melhorar e marcar a diferença na sexualidade humana isto não quer dizer que o ato sexual praticado sem estes ingredientes seja anormal, patológico perverso.
Praticar sexo seja da forma que for com quem for e enquadrado no ambiente que for, é um DIREITO HUMANO: neste campo é hipocrisia e patologia sim, a crítica social constante numa espécie de tentação a definir A PESSOA por aquilo que faz com os seus órgãos genitais.
É importante sair desta atitude onde tantas vezes usamos o que chamamos VALORES como JULGAMENTOS, alienando o nosso ser e podendo agredir e prejudicar o “julgado”.
Em matéria de sexo/sexualidade só parecemos parecidos porque na realidade somos todos únicos. Só há patologia ou crime quando alguma forma de expressão sexual faça sofrer o próprio ou o próximo.
Muitos ou poucos ou nenhuns, ou muitas ou poucas ou nenhumas, se não fizer mal a ninguém é uma atividade positiva e “normal” seja para eles como para elas.
O divórcio entre a razão e a emoção está na origem de comportamentos compulsivos onde nos sentimos “não ser donos” de nós próprios, e que prejudicam o nosso bem-estar, seja ele físico, psicológico, relacional ou profissional.
O autoconhecimento através da consciência crescente das nossas verdades interiores bem como das nossas fragilidades é a única via para, ao desenvolver a nossa inteligência emocional, podermos crescer nessa articulação entre razão e emoção e passarmos dos nossos “saberes” à nossa “sabedoria”.
A frase-questão “queres ter razão ou queres ser feliz?” contém em si uma metáfora que faz sorrir mas que denuncia muitos dos nossos momentos reactivos irreflectidos, ou ainda momentos de infelicidade onde nos sentimos “vítimas do universo”.
Claro que todos queremos é ser felizes e… termos “razões” e “razão” para isso.
Desenvolver a nossa razão alimentada pela corrente dinamizadora da nossa emoção é sem dúvida o caminho para ousar e usar o nosso direito de seres humanos a sermos felizes e saudáveis.
A psicoterapia é uma das vias para ir desfazendo este divórcio que nunca deveria ter ocorrido e que deu origem à frase “o coração tem razões que a razão desconhece”. Mas não é a única. Toda e qualquer vivência que nos ponha em consciência face à nossa realidade emocional, e nos ajude a tomar as nossas atitudes, é uma mais-valia a partir deste casamento razão-emoção, na medida em que estaremos assim a respeitar o nosso ser unido e por inteiro.
E claro, podemos sempre manter os nossos momentos de “bebedeira” emocional, onde “escolhemos” extravasar mas já não advindos de uma impotência de gerir emoções. Não precisamos mesmo de cair nisso.
O sentido de humor pode ser um recurso muito poderoso na saúde das relações connosco próprios e com os outros.
A capacidade de ir visitar com a ternura do humor os nossos limites e as nossas fragilidades é, de facto, uma das capacidades com que a natureza humana vem equipada.
Porquê, então, haver tantas pessoas que não desenvolvem essa capacidade, que não recorrem a ela, naqueles momentos mais duros em que a atitude humorística, até pode (em situações extremas), salvar a vida?
O Humor serve o Amor, enquanto que a troça serve a agressão.
Título dum capítulo do meu primeiro livro -“Bem-aventurados …os que ousam!”-esta frase metafórica remete para a célebre frase “cresça e apareça” que é pronunciada com arrogância e desprezo pela desempenho do próximo nas mais variadas circunstâncias.
Fazer sempre melhor é um objectivo do ser humano saudável, mas o respeito pela diferença também o é. E o contexto de competição e desprezo em que esta atitude nasce é que é doentio de arrogância.
Os tais “não crescidos” tudo farão então para agradar e melhorar no sentido do que o “outro” julga ser melhor. E ao “crescerem” desta forma correm o risco de ficarem “crescidos mas desaparecidos”! Desaparecerem na sua originalidade, unicidade criatividade.
Se a atmosfera de TROÇA contida nesta frase, for substituída por uma atmosfera de TROCA, a diferença passa a ser bem –vinda, uma vez que é na diferença e não na semelhança que está o motor do progresso e da criação inovadora.
Dito isto, acrescento “CRESÇAM …MAS NUNCA DESAPAREÇAM”.
As abordagens mais clássicas da doença mental e dos sofreres psicológicos, tendem a ser substituídas -a meu ver só com vantagem - por abordagens psicoterapêuticas onde o objectivo é o auto-conhecimento.
Por se pensar que é na relação da pessoa com as suas queixas que estará o seu evoluir para a "decisão" de poder optar pela saúde e não permanecer escondida e refugiada na sua "doença".
Sentir-se permanentemente doente e estar-se como que instalado num diagnóstico que ouvimos ou em doenças e fragilidades que imaginamos, pode tornar-se um meio de "fugir" à responsabilidade da vida e à maturidade. Assumindo a responsabilidade das nossas transformações interiores e das capacidades que temos para crescer em saúde, criatividade e, finalmente alegria simples de viver.
Sou uma técnica de saúde mental -e não de doença mental -ou seja a minha abordagem é com certeza a de ir levando quem me procura a poder relacionar-se dinamicamente com as suas queixas.
O volume de pedidos de consulta que tenho tido desde que lancei os meus livros -e principalmente o último em Maio de 2001 (Cada um vê o que quer num molho de couves:18 travessias psicoterapêuticas), só se compreende por ser verdade que as pessoas já buscam um caminho de saúde e auto conhecimento, para encontrarem as suas próprias ferramentas de poder escolher saúde em vez de doença.
Abrirei em breve as clínicas Isabel Abecassis Empis, em várias cidades do país, onde psicoterapeutas formados por mim poderão receber as pessoas nesta perspectiva e sempre sob a minha orientação.
De Janeiro a Junho de há 4 anos para cá, semanalmente e em horário pós laboral, levo a cabo uma Formação complementar em psicologia, aberta a TODOS, onde através de variados módulos e com oradores de competência reconhecida, se levam os formandos a "usar o que se aprendeu através do que se é" e não "em vez do que se é",desenvolvendo assim a nossa inteligência emocional, e restabelecendo o "BOM SENSO", atitude que deve estar prioritariamente presente em qualquer acto humano e profissional.
“Enquanto não aprender a dizer não, o seu sim pode ser hipócrita”, é o título de um dos capítulos do meu livro “Bem-aventurados… os que ousam!”
Dizer que não ao outro pode ser dizer que sim a si próprio. É importante para a nossa saúde e bem-estar conhecermos os nossos limites e não querermos ser uma espécie de “super-Homem” que nega as suas fragilidades e as suas próprias necessidades.
Isto pode manifestar-se tanto na relação com o outro (cujo amor e reconhecimento pensamos poder conquistar com sins sistemáticos), como na relação com nós próprios, ao não dizermos não ao que nos faz mal (como nas adições em geral).
O sentido de humor pode ser uma forma conciliadora de conseguir começar a dizer não. Por exemplo, ao passarmos a dizer a uma pessoa, que normalmente tem algum ascendente sobre nós levando-nos a dizer que sim, quando queríamos dizer que não: “não querido, desta vez não vais ser tu a locomotiva e eu a carruagem” ou ainda “hoje não vou ser um pedaço de plasticina para tu moldares”.
Reabilitar os nossos direitos – aqueles que não nos temos autorizado, por culpa ou medo de ser rejeitado, usando antes os sins que dizemos com a ilusão de caçar afectos – através dos nossos novos nãos, é o caminho para recuperar saúde, auto-estima, bem-estar e também o respeito do outro.
Quando o Ter se transforma em posse ,instala-se uma confusão -COM FUSÃO- entre o nosso ser e o ,ou os ,nossos teres ,e perdemos a nossa identidade ,a nossa pessoa ,que fica assim fundida nesse ter- posse.
Este tema é interessante mas é traiçoeiro ,porque podemos perdermo-nos em filosofias e dizer palavras vazias de verdade ,palavras que parecem querer dizer coisas. De facto não é : SER é bom e TER é mau ,é materialismo ,é sociedade de consumo .
E ficarmos assim a sentir que somos muito evoluídos espiritualmente por desprezarmos o TER. Isto é mentir, isto é simplista.
Nós não somos aquilo que temos ;somos a nossa relação com aquilo que temos.
Só com esta consciência e postura poderemos usufruir, em saúde, das maravilhosas coisas que o mundo tem para nos oferecer e para nós conquistarmos, mas nunca ao preço da ilusão que o nosso SER está no nosso TER.
É na confusão entre humildade e humilhação que muitas vezes nos impedimos de ser mais felizes e de nos darmos equilíbrio e tranquilidade a nós próprios.
Muitas ocasiões de enriquecimento com o outro com o mundo podem ser perdidas por estarmos fechados numa postura inconsciente de orgulho que até nos pode levar a preferir a "doença" à"saúde" que nos adviria de conseguir ter a humildade de receber o que o outro o mundo tem para nos dar.
Caímos assim muitas vezes na esterilidade e teimosia de perder tempo a querer que as "pereiras nos dêem figos" e desperdiçamos as peras que ali estão ao nosso dispor como se aceitá-las usá-las e até agradecê-las fosse humilhação para nós.
Temos dentro de nós a capacidade para transformar a humilhação -patente nas nossas reacções de orgulho em humildade.
Conseguiremos assim aceitar fraquezas e já não mais negá-las e aumentar então o nosso bem-estar acarinhando os nossos limites em vez de os não reconhecermos e acabar por ser escravos de certos comportamentos negativos e nocivos para nós próprios.
Vestimos inúmeras máscaras das quais podemos não ter consciência, por nos identificarmos aos nossos próprios papéis.
E é assim que a nossa pessoa se pode encontrar -e muitas vezes está entalada nas nossas personagens.
Tomar consciência de quem somos, de onde está o nosso "eu",e de quais as personagens que a nossa "pessoa" usa nas mais diversas situações, é essencial para não vivermos de empréstimo e com aquela sensação de estarmos a passar como que ao largo de nós próprios.
Que se aprenda a "Usar o que se aprendeu através do que se é" (e não em vez do que se é!) é o objectivo de toda a minha actuação profissional bem como desta rubrica e deverá ser a base de todos os nossos relacionamentos tanto com os outros como connosco próprios e com tudo aquilo que estudámos e em que trabalhamos.
Só pode haver saúde mental, social, familiar, profissional e mesmo física, se aprendermos a passar pós nós próprios, para saber lidar através de quem de facto somos, com a nossa vida do dia a dia. Isabel Empis
ISABEL EMPIS:
Psicóloga clínica pela universidade de genève dirigida por jean Piaget,
Aí lecionou durante 3 anos,e de regresso a Lisboa foi ainda docente na faculdade de psicologia e de ciências da educação durante 8 anos e no ISPA (instituto português de psicologia aplicada) mais 5 anos.
Iniciou a sua formação psicanalítica na suíça com a sua psicanálise pessoal durante 6 anos, sendo sóca da SPP (sociedade portuguesa de psicanálise) desde 1978,e recentemente da AP (associação portuguesa de psicanálise psicoterapia psicanalítica),pratica a psicoterapia e a psicanálise em privado desde 1979.
Integrou as equipes do então centro de saúde mental infantil e juvenil de lisboa,
dirigido por João dos santos ,com quem trabalhou directamente durante 7 anos e mais tarde integrou o quadro dos psicólogos do hospital Miguel bombarda, onde trabalhou 14 anos na equipe de saúde mental de Sintra.
É autora de 4 livros que se podem classificar como ensaios de saúde mental:
"Bem-aventurados...os que ousam!" em 2006,
"Eu quero amar,amar perdidamente" em 2008,
"Cada um vê o que quer num molho de couves-18 travessias psicoterapêuticas" em 2011 e
"Lições de vida" em 2010 ,em co-autoria com Salvador Mendes de Almeida,
todos com a editora LEYA-oficina do livro.
Promove desde há 4 anos um curso deFormaçãoComplementar em Psicologia, aberto a todos com a regularidade de duas horas semanais e que se estende de Janeiro a Julho, em Lisboa.
CONTACTO : isabelempis@hotmail.com