Muito do nosso tempo é gasto em discursos, opiniões e, sobretudo, julgamentos....
Esta prática constante no nosso dia a dia, acontece porque em vez de usarmos a nossa humanidade (O nosso Ser – único, verdadeiro), usamos aquilo que aprendemos/ adquirimos (teorias, explicações). Esta forma de agir faz-nos, por vezes, desligar de nós próprios, dos outros e dos acontecimentos à nossa volta, perdendo, consequentemente, a riqueza das nossas emoções e da troca com os outros.
Não perca nada sobre estes temas intrigantes do nosso comportamento!
Com Isabel Empis esta segunda-feira às 17:30 na Sic Mulher!
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Muitas vezes tendemos a confundir liberdade com transgressão.
Há certos comportamentos, opiniões, reacções, ambições, rejeições, julgamentos, etc...Que caracterizam há tanto tempo a nossa maneira de ser que, julgamos ser a nossa real personalidade. Muitas vezes, não são mais do que atitudes reactivas ao mundo, a vivências adversas ou a pessoas, contra as quais reagimos com afectos negativos (raiva ou vingança), apesar de na nossa mente assumirem a qualidade de “liberdade de existir” baseada em escolhas conscientes. Um exemplo paradigmático, é o do indivíduo que se afirmou sempre como grande lutador, viciado no trabalho (mesmo que este lhe afecte a saúde), o qual não tem tempo, sequer, para se questionar se é ou não feliz. Um dia deprime-se e aí, numa paragem “forçada” pode tomar consciência que afinal aquilo a que chamava “luta pela vida”, não é mais do que uma qualquer competição com um irmão (por exemplo), competição essa, que o levou a transgredir os seus próprios limites, de repente, essa “luz” fá-lo entender que tudo o que desenvolveu, mais não foi do que raiva ou fúria interior, mesmo que inconscientes, ou seja, uma transgressão dos seus limites. Então, é nesta nova tomada de consciência que pode nascer, para esta pessoa, a liberdade. Liberdade é pois assumir limites e não negá-los. Outro exemplo frequente, é o que se passa com os filhos adolescentes de pais muito rígidos. Nesta fase da vida, os adolescentes tendem a fazer escolhas completamente opostas ao que os pais lhes transmitiram. São escolhas que, geralmente, chocam, vivem em transgressão num ambiente, que sentem como repressor, achando que os seus gostos e escolhas são fruto de liberdade.
É a confusão entre liberdade e transgressão. Em termos histórico-culturais, o Maio 68 em Paris foi símbolo da revolta contra costumes repressivos e conservadores. No entanto, a “obrigação” de transgredir levou, a meu ver, mais à libertinagem do que à liberdade de existir que se pretendia. Toda aquela geração ficou, temporariamente, mergulhada num agir transgressivo, pesado, que não trouxe saúde nem felicidade, pois tornou-se quase numa compulsão à transgressão. O boneco Snoopy aparece, então, num poster gigante nas ruas de Paris dizendo: “É melhor ser rico e saudável do que pobre e doente!” retratando bem a insatisfação que depressa se instalou depois da inicial excitação do “grito de liberdade”. A liberdade é, pois, um processo de construção interior, baseada no auto-conhecimento e não é resultante de comportamentos reactivos às atitudes, circunstâncias ou contrariedades que a vida nos apresenta a todos - já que a perda é uma constante da na nossa vida desde o momento do nosso nascimento até à morte.
Pelo contrário, a liberdade é um estímulo para nos definirmos nas nossas capacidades criativas, não perdendo estas oportunidades, quer negando emoções, quer as nossas próprias necessidades camuflando-as através de transgressões para com os outros, e, mais grave... Para nós próprios.
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Nos tempos que correm, caracterizados por um super-desenvolvimento tecnológico, a mente tem sido híper inflacionada em detrimento dos outros instrumentos de conhecimento que possuímos, como a intuição e os órgãos dos sentidos, incorrendo o risco de escravizar vidas, gerando vários tipos de medos, tais como: o medo de falhar, o medo de desagradar, o medo das doenças, o medo do que se perdeu, etc…
Este aspecto pervertido da nossa mente leva a que a pessoa perca a capacidade para realizar a sua plena vitalidade, no exercício da sua humanidade no aqui e agora –espaço em que a vida, de facto, se passa.
Como ajudar as nossas crianças - e nós próprios - a viver a vida em vez de temer a vida? Devemos apostar na prevenção das cada vez mais frequentes depressões associadas a ataques de pânico, sempre com a cabeça a imaginar perigos que levam a pessoa a duvidar do poder que tem sobre si própria, e da sua capacidade de ser responsável pelas reacções às suas emoções.
O pensamento nasce com a gradual separação do bebé e da mãe, na sua relação simbiótica após o nascimento. Ao longo da vida, todo o crescimento implica uma perda e traz um enriquecimento. Vai-se adquirindo “conhecimento” através da relação perda/ganho para se ir construindo o pensamento, e a brincar vai-se aprendendo a pensar cada vez mais ricamente, ligando umas coisas às outras.
A mente é portanto um instrumento de conhecimento do nosso ser. Como pode então acontecer que por vezes as coisas pareçam inverter-se e fica o nosso ser um instrumento da nossa mente? Os medos, mais ainda as fobias, são disso um exemplo. No entanto, se é verdade que os medos são criados pela nossa mente, também o é que a mente tem capacidade para os resolver e libertar a pessoa desses medos. Assim a mente mente, porque às vezes inventa – e parece verdade – que a pessoa não é responsável pelos seus medos, pelos seus sucessos, pelos seus desesperos e pelas suas esperanças. É essa a grande mentira da mente!
Vamos desmascarar esta mentira da mente para vivermos em saúde! Não perca!
“Nada se perde, tudo se transforma” é uma frase que encerra a própria verdade e, mesmo, o segredo da vida.
Perder algo ou alguém, importantes para nós, envolve um processo de luto que passa, muitas vezes, por “lutas”.
O processo de luto pode resumir-se em quatro fases: à fase inicial do desespero, segue-se uma fase de negação e protesto, na qual, se tenta recuperar o que foi perdido (mesmo que só imaginariamente). É esta vivência que dará lugar à fase de aceitação vivida, geralmente, com tristeza e depressão mas, condição indispensável para chegar à reconstrução, ao renascimento e a um reatar criativo de ligações com a nova realidade existencial da pessoa.
O “luto patológico” ocorre quando a pessoa se fixa numa destas fases e é, então, aqui que aparecem as “lutas” para negar a nova realidade. Percorrer este processo implica conhecer o “desenho” destas lutas, uma vez que é nelas que a pessoa mascara (até para si própria) a sua verdade, arrastando essa máscara por anos e sob as mais diversas formas.
Estas “lutas” de que falamos assumem, muitas vezes, a forma de somatizações ou doenças físicas, a precisar, efetivamente, de serem tratadas medicamente. É como que por “ o corpo a falar por nós”, sendo a doença o resultado do compromisso doentio, de emoções negadas, de tristezas não vividas, talvez, lágrimas não choradas ou raivas não exprimidas.
Hoje, é sobejamente conhecida, nos meios científicos, a relação causa/efeito entre doenças (cancro e doenças do sistema imunitário) e perdas inesperadas.
A segurança, a saúde e a liberdade de existir só podem vir, assim, da nossa capacidade de transformação, através dos nossos lutos diários: morremos hoje para ontem e amanhã morreremos para hoje”.
“Saber morrer” e “deixar morrer” tal é o preço de poder viver a nossa vida em plena saúde e em alegria.
Sexo e sexualidade não se reportam à mesma coisa. Podemos dizer que a sexualidade é o conjunto das experiências emocionais da atmosfera afetiva em que, a partir da puberdade o ato sexual poderá vir a enquadrar-se. Em muitas línguas o ato sexual é designado por “fazer amor” o que significa que o ato sexual dos humanos se pode acompanhar de emoções de ternura e carinho que serão uma das melhores vivências que uma pessoa pode conhecer.
A atividade sexual humana é nisso distinta da atividade sexual animal que é ela puramente instintiva. Se o amor e a emoção pode assim melhorar e marcar a diferença na sexualidade humana isto não quer dizer que o ato sexual praticado sem estes ingredientes seja anormal, patológico perverso.
Praticar sexo seja da forma que for com quem for e enquadrado no ambiente que for, é um DIREITO HUMANO: neste campo é hipocrisia e patologia sim, a crítica social constante numa espécie de tentação a definir A PESSOA por aquilo que faz com os seus órgãos genitais.
É importante sair desta atitude onde tantas vezes usamos o que chamamos VALORES como JULGAMENTOS, alienando o nosso ser e podendo agredir e prejudicar o “julgado”.
Em matéria de sexo/sexualidade só parecemos parecidos porque na realidade somos todos únicos. Só há patologia ou crime quando alguma forma de expressão sexual faça sofrer o próprio ou o próximo.
Muitos ou poucos ou nenhuns, ou muitas ou poucas ou nenhumas, se não fizer mal a ninguém é uma atividade positiva e “normal” seja para eles como para elas.
O divórcio entre a razão e a emoção está na origem de comportamentos compulsivos onde nos sentimos “não ser donos” de nós próprios, e que prejudicam o nosso bem-estar, seja ele físico, psicológico, relacional ou profissional.
O autoconhecimento através da consciência crescente das nossas verdades interiores bem como das nossas fragilidades é a única via para, ao desenvolver a nossa inteligência emocional, podermos crescer nessa articulação entre razão e emoção e passarmos dos nossos “saberes” à nossa “sabedoria”.
A frase-questão “queres ter razão ou queres ser feliz?” contém em si uma metáfora que faz sorrir mas que denuncia muitos dos nossos momentos reactivos irreflectidos, ou ainda momentos de infelicidade onde nos sentimos “vítimas do universo”.
Claro que todos queremos é ser felizes e… termos “razões” e “razão” para isso.
Desenvolver a nossa razão alimentada pela corrente dinamizadora da nossa emoção é sem dúvida o caminho para ousar e usar o nosso direito de seres humanos a sermos felizes e saudáveis.
A psicoterapia é uma das vias para ir desfazendo este divórcio que nunca deveria ter ocorrido e que deu origem à frase “o coração tem razões que a razão desconhece”. Mas não é a única. Toda e qualquer vivência que nos ponha em consciência face à nossa realidade emocional, e nos ajude a tomar as nossas atitudes, é uma mais-valia a partir deste casamento razão-emoção, na medida em que estaremos assim a respeitar o nosso ser unido e por inteiro.
E claro, podemos sempre manter os nossos momentos de “bebedeira” emocional, onde “escolhemos” extravasar mas já não advindos de uma impotência de gerir emoções. Não precisamos mesmo de cair nisso.